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A TRISTEZA É UMA PROTEÇÃO DIVINA

Cimples triste
Cimples triste
Praça Ouvidor Pardinho – Curitiba (2020)

Hoje final de tarde estava indo para minha mãe buscar algumas etiquetas da marca de roupa que estou retomando a produção, #destbrasa, e resolvi parar no meio do caminho para tirar um pouco a tristeza da pele fazendo graffiti. Acho que sei o motivo da tristeza, isso é uma das partes que mais me intriga.

Estar triste não quer dizer que não estou contente. É apenas um sentimento passageiro e transformador. Sim, a tristeza nos transforma e nos eleva como ser. O que Deus quis dizer para mim e me deu o prazer desta dádiva da vida? Sim, é Deus falando conosco através dos nossos sentimentos e emoções, vale cada um interpretar da forma que achar conveniente. Eu senti isso. Eu senti que estou triste no momento de felicidade. Estava triste na felicidade.
No caminho da casa da minha mãe eu resolvi parar e fazer um graffiti de forma espontânea… Lembrei de um muro que tinha visto no domingo, quando fui levar minha filha para brincar no parquinho da praça Ouvidor Pardinho. É um muro bem legal que tem uma torre de telefone. Um muro neutro, pois ali dentro daquele terreno enorme tem uma torre do mesmo tamanho e um muro bonito para receber um graffiti.

Parei e comecei a pintar tal muro e quando estava esboçando a primeira letra do meu nome avistei um cuidador de carro da quadra. No primeiro momento da pintura ele apenas observou. Logo depois da segunda letra ele se aproximou e começou a falar do muro, do terreno e de quem era o dono do terreno e eu nenhum momento parei de pintar, mesmo sabendo que aquele muro poderia ter um dono e esse dono poderia aparecer (agora eu aqui estou assumindo a culpa… he he he)… Ele citou o nome da empresa que era dona do muro e eu falei que ia pintar uma parte e outra parte iria deixar para outro dia. O cuidador de carro disse que era melhor eu nem voltar outro dia… eu fiquei um pouco ressabiado e continuei a fazer minha arte. Quando estava quase terminando a primeira parte com tinta látex,  apareceu uma senhora e uma moça procurando um gatinho desaparecido, ela perguntou do significado da minha pintura. Falei que era abstrata, meio que escondendo o jogo… Já tinha finalizado o fundo com tinta látex e resolvi terminar o graffiti, peguei o spray no carro e tchhhhiiii… tchhhiii… não vou arriscar deixar para outro dia. E de repente a senhora que estava procurando o gatinho pediu para entrar dentro do terreno e o cuidador de carro tinha a chave do portão do terreno que tinha um muro que eu estava me apropriando. Eu continuei… eu não sabia muito bem o que falar… eu falei que iria terminar hoje o graffiti… terminei… e sai meio assim sem saber o que realmente aconteceu… ou, o que vai acontecer… o muro ficou com uma arte minha e eu fiquei com a pulga atrás da orelha e surpreso com aquilo tudo… acho que foi a tristeza que me protegeu…

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GRAFFITI EM COLOMBO?

Fui recomendado pelo grande camarada das artes visuais para executar uma pintura em uma loja de pipa e narguilo na zona norte de Colombo, região metropolitana de Curitiba. 

Primeiramente gostei do perfil da loja, pois na minha história de vida a pipa, ou raia como eu chamo, fez parte de minha infância e adolescência. Eu era daqueles raieiro e rueiro de plantão, gostava de fazer raia e vivia empinando pipa. A galera gostava da raia que eu fazia e às vezes até vendia as raia para a molecada e com o dinheiro eu pagava a entrada do Brasilzinho (danceteria da minha vila dos anos 80), tinha uns 12 ou 13 anos nesta época. Então esse foi meu plano de fundo para criação da arte para pintar na fachada do muro do estabelecimento. 

Fazer graffiti é uma coisa e fazer trampo é outra. Neste caso eu fiz um trampo sem compromisso e de forma solta e espontânea. Gosto de experimentar a liberdade, de criar e buscar o lúdico dentro do universo do graffiti e do meu próprio estilo. Dizer que eu fiz graffiti na fachada pode soar como pretensioso. Pois o graffiti é muito mais que isso. 

Estou feliz em poder fazer um trampo em Colombo.

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MINHA FILHA RAMONA FAZ 3 ANOS

Desenho da pequena Ramona e meu, sob cartaz com meu auto-retrato.

Hoje é o aniversário da minha pequena Ramona Youtsys! Ela está fazendo 3 anos! Que coisa mais linda que eu ganhei para alegrar meus dias.

Hoje eu sei o que é ser pai e viver em uma sociedade onde esse papel é fundamental na vida de uma criança. Infelizmente nem todas as crianças têm essa figura super importante para educação das crianças.

Meu pai teve um papel importante mesmo sendo um pouco ausente, mas sua presença me colocava na realidade… eu tinha um pai e ele estava sempre ali. Ele era do tempo do sermão, da palavra e de falar a verdade pra mim. Ele sempre dizia, siga a verdade (não sabia muito bem o que ele dizia, o que é a verdade…)! Eu segui a verdade em um mundo cheio de mentiras, falsidade e superficialidades desnecessária (teve participação da minha mãe para esse consciência, teve). Descobrir isso, na minha fase adolescente e adulta foi muito forte. Hoje, na metade da minha vida acho que eu superei isso (aquilo que eu aprendi com ele(s) era diferente do que eu vivia, por isso foi impactante na minha vida). Esse impacto que teve na minha vida, a forma que fui educado pelos meus pais (vida simples). De viver uma coisa linda dentro da minha família, viver algo real, com sinceridade, honestidade e verdade me tornou o que eu sou (Meu pai e minha são meus orgulhos). Sou sim, chato e rígido (meu pai era assim, rígido), gosto de falar a verdade (assim como meu pai falava a verdade pra mim). Isso me torna uma pessoa muito dura comigo e com os outros. Me desculpem amigo por ser assim, foi como eu aprendi.

O mundo que meus pais me ensinaram era outros amigos, o que eu aprendi é ser bom com as pessoas, nos doar para elas, eu aprendi que os outros são mais importante que nós mesmo… Esta sendo difícil superar isso… 
Não sei se eu vou ser assim como a minha bebê. Sei que nesses primeiros meses, primeiros anos, fui assim com ela, duro e rígido. Mas quero aprender a ser mais próximo, doce e amigável. Quero dar a liberdade que eu tive, mesmo sabendo que vivemos em um mundo cruel e violento.

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QUEM É DE VERDADE SABE O QUE É DE MENTIRA

Não precisa está escrito para a gente conhecer a verdade dessa parábola, “quem é de verdade sabe o que é de mentira”. Essa frase foi cunhada pelo sábio Chorão do Charlie Brown Jr na música “Pontes Indestrutíveis”. Uma música bem estruturada que fala de coisas verdadeiras que temos que seguir, nosso coração. Por falar em coração o meu está saindo pela boca. Quebrar paradigmas, meu coração pede.
Quero fazer uma reflexão sobre o graffiti, sobre essa frase dentro da cena do graffiti. Quem é de verdade sabe o que é de mentira. As ruas falam a verdade. Basta passear pela cidade e ver quem é de verdade e quem é de mentira. Os de verdade estão espalhado por toda a cidade, buscam, acreditam no que fazem e nunca espera e nem sai falando. Quem é de verdade é sagaz no seu rolê e nunca desiste por influências dos pais e nem pressão social ou preconceito. 
No graffiti não tem espaço para aquele que não seguem a regra da rua. Aquele que só faz quando é convidado, aquele que faz para ganhar prestígio, status ou fama. Os de verdade você vê nos muros da cidade em seus vários estilos. Os de verdade sabe quem são os de mentira.

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RESPEITO É PRA QUEM TEM

Essa frase ficou famosa pelo Rapper Sabotage na música “Respeito É Pra Quem Tem”, onde ela fala da sua realidade e a vida no crime em seus vários aspectos. Não vou falar de crime neste texto. Pretendo falar de respeito no sentido amplo da palavra. 
Respeito vem do latim, “olhar outra vez” e no dicionário respeito é sinônimo de consideração ou reverência, essas são algumas das semelhanças. Quero falar de respeito dentro da cultura do Graffiti. Muitos falam de respeito como algo nobre, algo a ser seguido, quase como um regra a ser seguida. E uma das coisas que não deve acontecer é o atropelo, pois tem uma falta de respeito com o outro (que pintou antes). Mas é falta de respeito por quem atropela? Sendo que no graffiti o próprio ato de pintar sobre a propriedade alheia já é falta de respeito dentro das regras sociais e civilizatória (pintou sobre um muro do outro, que não lhe pertence). Ou seja, o próprio ato de pintar já é um falta de respeito.
Respeito é pra quem tem? Quem respeita? Se eu não respeito, então não devo ser respeitado? Vamos desenrolar o assunto. 
Quem pinta sobre o muro é uma falta de respeito, isso é fato. Quem pinta sobre o graffiti não é necessariamente falta de respeito. Pois no universo do graffiti pintar sobre o graffiti do outro é uma provocação, em última instância, uma proposta de desafio ou mesmo uma crítica. Está desafiando as regras da linguagem do próprio graffiti. Tradicionalmente, os atropelos no graffiti acontece quando um escritor de graffiti percebe algo falso (bafo, toy), algo que foge da essência, como por exemplo o graffiti que é feito sob encomenda com intuito comercial ou não. Às vezes pelo simples fato de atropelar como um desafio como falei anteriormente – uma provocação.

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O PREFEITO RAFAEL GRECA APAGOU UM GRAFFITI

GRAFFITI CIMPLES NO MUMA EM 2018

Fiz um graffiti no muro externo do MUMA para o evento de HQ Gibicon no ano passado e não durou nem 1 ano. O mais incrível disso tudo que ele deixou parte do graffiti ainda vivo. O graffiti era uma paisagem inspirada em Curitiba representando os fundos de uma casa e um muro cheio de inscrições mais algumas cabeças decepadas. As cabeças era a imagem do então presidente da época Michel Temer e o governador Richa, mais o atual prefeito Rafael Greca. Foi a única cabeça que ele deixou foi a dele mesmo. Podemos considerar um ato egoísta da parte dele. Tive a sorte de saber deste caso graças ao grande camarada que estava passando bem no momento do atropelo comandado direto do gabinete do prefeito. Eu fiquei indignado e porque dele apagar o graffiti. Será que ele não gosta de graffiti?

GRAFFITI DO CIMPLES APAGADO EM 2019 (APENAS COM A CABEÇA DO GRECA)
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AQUI ESTAMOS: AQUI.

Meus amigos e amigas, aqui estamos. Muitas mudanças, em breve pretendo dar notícias. Estou em obras. Em breve pretendo lançar a edição de número 21 da querida revista Destroy e muitas outras novidades quentes. Aguardem pois não vão se arrepender. Tenho muito trabalho pela frente antes disso tudo. No momento certo quero compartilhar com vocês todas essas novidades que estou preparando. Vou tentar postar aqui no blog algumas coisas, esse vai ser meu canal de contato com vocês meus queridos amigos. Por enquanto, ainda, tenho alguns produtos disponíveis. Faça sua compra no site e vou ter o prazer de enviar pra você um pacote com o produto e alguns brindes. Qualquer coisa podem me enviar e-mail pelo contato do site ou mensagem pelas minhas redes sociais. Vai ser um prazer em responder.

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UM DIA…

Cemitério Municipal de Curitiba (2013)

Vou morrer. Disse o rapaz que aparentava ter mais ou menos 44 anos. Num dia como todos os outros. Ouvia-se o barulho dos carros e fazia um dia nublado. Um dia de luto. Não haviam mortos para ir ao velório, mas era um dia tipo de luto.

O que eu faço da vida? … vou morrer daqui alguns meses e faz um dia nublado. Como todos os dias são: nublados e cinzas. Eu não vejo cores, para mim as cores são todas iguais, apenas cada cor tem sua tonalidade e participa da mesma gama do círculo cromático. Apenas 1 cor. Eu sempre me achei cinza; um garoto apagado do bairro. Não chamava atenção de ninguém e não falava com ninguém, porque ninguém falava com ele. Pois é, esse sou eu.

Eu visito o Cemitério Municipal quase uma vez por mês e sempre estou perambulando pela cidade na busca de achar um muro para pintar. São nesses momentos que me sinto vivo e me faz viver. Esses e outros momentos da vida.

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CIMPLES NO SABARÁ

No ano passado tive o prazer de fazer um graffiti em grande formato ali no Bairro CIC, na comunidade do Sabará I. Um grande amigo e colaborador da revista Destroy, Diego Torres, me convidou. Ele estava revitalizando um espaço ocioso naquela vila. Vendo alguns muros da redondeza escolhi esse grande muro. De uma olhada no video acima que eu mesmo editei. Bom video!

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MORRER AOS 44 ANOS

Uma vez apareceu essa imagem que eu iria morrer nesta idade. Não lembro muito bem o remanescente deste pensamento… fui lembrar um tempo depois. Me lembro de um depoimento do Glauber Rocha que tivera esta mesma ideia. Falo no presente pois ele já morreu e deve estar nos vendo pela tela do computador de Deus. Tenho muito respeito por ele e sua produção é digna de uma pessoa pertinente para sua época. O Glauber morreu aos 44 anos e ele tinha este mesmo pensamento que o meu. “Eu vou morrer aos 44 anos”. Essa frase não sei se sou eu quem está falando ou é o próprio dito-cujo que está assoprando aos meus ouvidos.

Eu vou morrer aos 44 anos? Não sei. Porquê esse desejo de morte? Não sei… eu não posso responder por mim neste momento pois seria muito egoísta, muito pretencioso da minha parte. Única coisa que posso escrever ou falar seria o por que morrer. Morrendo ou não, vou escrever sobre o viver. Não sabemos o que é a morte. Sabemos que partimos desta para receber a graça de deus, que vamos para o outro lado e deixamos de existir no mundo terreno.

Por falar em viver. Quem vive? Viver é algo que almejamos e estamos sempre na busca. Algumas pessoas vive com certeza. Mas muitas lutam para sobreviver. Eu vivo, eu acho que vivo. Vivo no sentido da palavra que tenho a oportunidade de me alimentar, viver e ter um teto. Para ser bem simples. Tenho a opção de escolha, enfim… Tudo que eu faço na vida são coisas que gosto, algumas não planejei e gosto igual. São coisas que me faz sentir vivo e agradeço por ter esta oportunidade. Talvez eu queira experimentar morrer.